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VizEat: a minha experiência!


Não era um tipo que adorasse comida. Talvez no meu caso se aplique mesmo o “casa de ferreiro, espeto de pau”. O meu era (e é) cozinheiro. Contei sempre com o bom e o melhor à mesa, ainda mais quando toda a vida vivi num ambiente ligado à restauração: estalagens, restaurantes, cafés…

Na faculdade éramos oito a morar numa casa (fora os convidados com um estatuto de “quase-permanente”). As refeições eram à estudante: grande panelões de massa com atum, massa com cogumelos, arroz com bifes, etc. Há quase 10 anos, quando comecei a mapear as estradas de Portugal para os GPS’s, iniciei também uma jornada incessante que dura até hoje: visitar restaurantes, dezenas e dezenas de restaurantes.

O gosto pela comida – e pelo ato de comer diga-se! – foi crescendo e tornando-se mais apurado. Até que, em 2011, o mundo da comida entrou verdadeiramente na minha vida, quando comecei a escrever e a fotografar para o Boa Cama Boa Mesa (na altura chamado Escape.pt). Desde aí, foram muitos os restaurantes que conheci, muitos os chefes, muitos os proprietários, muitos os pratos maravilhosos que saboreei. A comida foi conquistando um espaço cada vez mais relevante no meu dia. Durante muitos meses do ano almoço praticamente todos os dias fora. Jantares, alguns. Surpresas, muitas! Escrevo e fotografo para o guia anual do Boa Cama Boa Mesa, para o site e, a partir de 2013, também para o Expresso, Expresso Diário, Caras e outras publicações do grupo. O mundo da comida e da cozinha invadiu a minha rotina, sem ser propriamente convidada, mas sem dúvida muito bem-vinda!

Isto tudo para dizer o quê? Este mês fui contactado para conhecer a VizEat, um serviço recém-chegado a Portugal e que segue a tendência imparável dos sites de partilha tão em voga. Em tempos fui um fervoroso adepto do CouchSurfing, o site de partilha gratuita de sofás. Recebi gente em casa (belos tempos no Porto…), dormi em sofás de pessoas no estrangeiro, comi com elas, diverti-me com elas.

Tudo se partilha hoje em dia, porque não partilhar o ato de comer? Apesar de já existirem no mercado alguns serviços semelhantes, sobretudo fora de Portugal, a VizEat é neste momento o site líder no segmento do social dining. Como funciona? Bom, para melhor o explicar vou falar-vos da minha experiência num jantar a la VizEat. Primeiro que tudo o óbvio: é preciso registar no site, criar o habitual perfil e escolher: organizar um jantar ou ir a um jantar. Ou, melhor ainda, ambos!

Ainda a arrancar em Portugal, o site já está presente em mais de 50 países, com mais de 20 mil utilizadores, com preços médios por refeição/pessoa a rondar os €15. Imaginemos o seguinte cenário: ir a um país e pagar 30€ para comer num restaurante como tantos outros, sem falar com ninguém e provavelmente provar comida pouco genuína; ou ir jantar a casa de um local, conhecer a sua história, conversar, comer, beber e pagar o mesmo!? Acho que a escolha é óbvia…

O site permite fazer pesquisa por cidade, preço, tipo de comida, línguas faladas pelo organizador e até restrições alimentares. Ainda só existem pouco mais de dez utilizadores ativos em Lisboa, mas a tendência é a de um crescimento explosivo num ápice, como sucedeu noutros países. Podemos consultar o perfil do nosso “chefe privado”, ler reviews que outros membros deram à sua performance, ver fotografias da casa e dos pratos, etc. Depois de escolhido o nosso anfitrião, podemos trocar mensagens com ele, consultar a morada onde vive, escolher uma hora e até escolher os pratos que preferimos.

Mas voltemos ao meu jantar. O meu cozinheiro de serviço naquela noite, André Lopes, é visivelmente apaixonado por comida, especialmente se for alentejana. É um dos chefes do Continente, músico e adepto do VizEat. É provavelmente o membro do site com mais experiência em Portugal. Contou-me que fui o primeiro português que recebeu, que os portugueses eram ainda desconfiados quanto a este tipo de serviços e que são os turistas o principal público. Em Lisboa, os preços por pessoa vão dos €7 aos mais de €70. Há de tudo. O jantar na casa do André custa €30 por pessoa, um nível médio-alto diria.

O título do jantar do André era “Friendly Food” e o prometido foi cumprido. A sala estava com mais classe do que a maioria dos restaurantes caros de Lisboa. A mesa um mimo, o ambiente perfeito e a companhia uma simpatia. Começámos com uns enchidos, pão e queijos. Alentejanos obviamente! Foram acompanhados por um exemplar azeite de Reguengos e um vinho conterrâneo. De água na boca, passámos aos ovos mexidos com farinheira à alentejana. Dei uma espreitadela à cozinha enquanto André os fazia. Saquei umas fotografias para a posteridade e ataquei o acepipe com gosto. Seguiu-se um surpreendente risotto de bacalhau e ervas frescas. Com esta não contava… Nunca me tinha cruzado com um risotto de bacalhau. Valeu a pena o encontro, estava no ponto. Veio o prato de carne, já a fugir ao meu gosto pessoal, mas bem confecionado: uma terrina de frango com tâmaras e amêndoas. Para terminar, um irresistível pão-de-ló de Ovar, não recomendado a quem não aprecie ovos quase crus. Quanto a mim, uma delícia!

O melhor ficou para o fim: o convívio à mesa. Fiquei adepto desta espécie de AirBnb da comida e vou fazer questão de o usar, especialmente em viagem, pois acredito que à mesa podemos ter algumas das melhores experiências da vida. A repetir!

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