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Soroche no umbigo inca

Senti os efeitos da altitude mal aterrei em Cusco. Sai do avião praticamente directo para a rua. O aeroporto era minúsculo. Caminhar com a mochila às costas começou custava um pouco mais que o que estava habituado. A 3400 metros de altitude – bastante para quem veio dos zero de Paço de Arcos do dia anterior – Cusco recebeu-me com uma inusitada fadiga no lombo.

Cusco era a antiga capital inca. Em quéchua diz-se Qosco, o “umbigo do mundo”, o centro do universo para os incas. Para a maioria das pessoas já não o é, mas para os taxistas ainda o é. É no aeroporto que os ávidos taxistas “sacam” uns soles (neste caso 25) aos “gringos”. Saí do aeroporto e lá estava o meu táxi – mais “tunning” do que esperava – bem como uma placa a dizer “Gabriel Mendez”. Esta minha versão do nome à jogador sul-americano da bola ia perseguir-me no resto da viagem, não que eu me importasse muito.

Da janela do táxi tinha as primeiras impressões do Peru. “Estas ruas parecem-me mais indianas do que estava a contar”, disse aos meus companheiros de viagem. Eram típicos subúrbios de uma cidade sul-americana: sujas, caóticas, barulhentas, mas coloridas. Depressa entrámos no centro histórico, de arquitectura colonial. Do império inca pouco restou, não muito mais do que um pedaço de muralha.

Os católicos (sob o comando de Pizarro) depressa deram cabo de todo o legado inca, durante os séculos XI e XII. De qualquer forma, a mui castelhana Plaza de Armas e a inevitável catedral dão um bom passeio. Estava de visita na semana santa, o entusiasmo sentia-se no centro histórico, a comida na rua era uma perdição e o mercado de São Pedro uma confusão. Caminhei pela balbúrdia com calma.

Na verdade foram dois dias a caminhar com calma. Isso e muito chá de coca. E água. Não queria substimar a “soroche” (efeitos da altitude), que já fazia vítimas dentro do nosso grupo (vómitos e dificuldades respiratórias incluídas). A coisa lá acalmou. Depois de uns dias de habituação estava pronto para fazer o que todos os turistas fazem quando vêm a Cusco: partir para o Vale Sagrado dos Incas, um vale com dezenas de templos e cidadelas incas, culminando do mais conhecido de todos, o Machu Picchu.