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A Islândia é, no geral, um país com pouca vida nas ruas. Com uma população tão pequena numa ilha tão grande, difícil é que assim não seja. Mesmo em pleno verão vê-se pouca gente na rua. As pequenas cidades e vilas da ilha parecem lugares fantasma, qualquer que seja a hora do dia. Em 15 dias que passei no país um dos poucos momentos de vislumbre de alguma genuína animação foi na vila de Stokkseyri, onde acampei na segunda noite desta viagem.

Vinha do Golden Circle, onde estão as principais atrações turísticas, a caminho de Vík, uma das mais importantes cidades do sul. Ia ser a minha primeira (e acabou por ser a única, mas essa história fica para depois) noite de campismo na Islândia. Stokkseyri pareceu um bom sítio para acampar. Típica vila islandesa, a Wikipédia diz que tem apenas 445 habitantes. Um marasmo, sem surpresas. Montámos a tenda num descampado  relvado, comemos a uma sandosca de pão-de-forma e fomos dar um volta pela terreola. Como na maioria das vilas islandesas, também nesta pouco há pouco para ver.

Decidimos caminhar em direção à praia de pedras negras vulcânicas, iluminada pela magnífica luz dourada do sol da (quase) meia-noite. Um pontão. Um grupo de amigos a brincar. Rapazes de tez pálida, loiríssimos, como eu imaginava que fossem as crianças islandesas. Sob um céu azul e um sol enganador, o frio era intenso, apenas amenizado pela falta do habitual vento cortante. A água daquele mar deve ser tão gelada que arrepia só de pensar e… “o puto saltou!”. Como? Uma criança, às 1o da noite, não vigiada, a saltar para a água do mar de temperatura ártica?

Uma água onde, a poucas centenas de metros dali, há focas, orcas e baleias? Sim. E lá estavam as crianças, a brincar na água, sozinhas, como eu brincava na água (bem mais quente) da barragem quando era mais novo. Pareceram-me crianças livres, espontâneas, felizes. Foi um dos raros momentos de na Islândia em que vi crianças a brincar, a desfrutar no exterior.

No país mais “internauta” do mundo, com a maior percentagem de pessoas com internet, é bom saber que nem todos estão fechados numa sala a olhar para um ecrã. Como eu estou neste momento… Felizmente vou-me desligar e vou de viagem. Vou saltar para as águas da barragem. Como os rapazes islandeses. Bom fim-de-semana!



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