Vencedor do 1º Prémio dos Open World Awards 2017 da momondo // Vencedor do prémio Blogue de Fotografia de Viagens 2014, 2015 e 2016 da BTL Blogger Travel Awards

Rapidinha no altiplano

6 e 45 da manhã. Hostel Intro, Cusco. Batiam à porta de madeira semicerrada, tão usada que nem fechava. O tipo do hostel executava o serviço de despertar combinado, mas depois disse: “Faltam 10 minutos para o autocarro partir para Puno, apressem-se”. Não era suposto isto ser assim. Além de cinco pessoas ainda terem de fazer a mala em tempo recorde, o local de partida do autocarro era a bem mais de dez minutos de carro. Apanhámos dois táxis. O trânsito era o da hora de ponta, intenso. Quando lá chegámos o autocarro já tinha obviamente partido.

A estrada que íamos percorrer é uma das mais altas do mundo, sempre acima de 3000 metros, com o ponto mais elevado a 4330 metros, chamado La Raya. O taxista – que não se importou de levar cinco pessoas bem apertadas no carro – encaminhou-nos para o “Terminal Terrestre”. No Peru a concorrência entre companhias de autocarros é uma coisa séria. As “carreiras” não eram muitas, mas o número de empresas que as fazem surpreendeu-me. Em vez de uma companhia pública e uma ou outra privada, existem dezenas de empresas privadas. Difícil é perceber quais as boas e quais as manhosas. Atrevi-me a pesquisar por uma delas no tripadvisor. Os “reviews” diziam: “acidentes frequentes”, “mortos depois de cair por um precipício” e outras maravilhas assim. Mas este autocarro saía às 8.30, faltava pouco. Que se lixe, bora n’essa.

O Altiplano fazia parte do meu imaginário. Queria muito ver aquela paisagem árida de altitude, mas no jogo das prioridades alguma etapa tinha de saltar fora. A fava calhou ao Altiplano. A ligação de autocarro Cusco-Puno teve de ser feita sem paragens e sobrevivi. Quanto ao Altiplano, o que vi foi pela janela. O primeiro encontro foi fugaz, o segundo há-de ser melhor. Ficam algumas fotos.