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Crónicas Japonesas: kampai! A ti, Japão

Uma das coisas que queria mais fazer no Japão era uma caminhada na floresta. Inspirado pelos filmes de Hayao Miyazaki, como a Princesa Mononoke ou O Meu Vizinho Totoro, sonhava vaguear naqueles espaços místicos, impregnados de um folclore mitológico que sempre me fascinou. Quem sabe não encontraria alguns kodamas (espíritos das árvores) ou mesmo o próprio shishigami (o grande espírito da floresta)? Queria mesmo dedicar algum tempo a explorar florestas como as que tinha idealizado e essa foi uma das razões para ter escolhido visitar a península de Kii, uma região rural ocupada maioritariamente por florestas.

Antes de partir, li um artigo no Viagens à Solta (blogue de viagens do Paulo e da Sofia) sobre um caminho chamado Daimon-zaka e pu-lo logo na minha lista de favoritos no Japão. As fotografias deixaram-me de água na boca. Era mesmo aquilo que procurava.

O Daimon-zaka é basicamente uma enorme subida com centenas (ou até milhares) de degraus, que atravessam uma “avenida” de gigantescos cedros. Este troço faz parte do Kumano Kodo que, juntamente com os Caminhos de Santiago, são os únicos caminhos que são Património Mundial da Humanidade. Percorremos o Daimon-zaka e o que vimos não desiludiu, ainda para mais o dia cinzento significava menos caminhantes por ali.

Depois de sensivelmente uma hora a subir, as escadas entregaram-nos ao Kumano Nachi Taisha, um dos três templos sagrados do percurso e, mais acima, ao Seigantoji Sanjutou, uma pagoda muito fotogénica com três andares. Dali o pano de fundo é espectacular: vislumbra-se, nada mais nada menos, do que a mais alta cascata do Japão. Chegar até ela implica mais alguns minutos de caminhada. Paga-se para ir junto à cascata, mas é possível vê-la perfeitamente a partir do fundo de uma escadaria que tem uma espécie de miradouro.

O dia ameaçava chuva forte e tivemos de regressar a casa (no dia seguinte o temporal foi tal que nem conseguimos sair de casa). A caminho de Shingu parámos em Katsuura, uma pequena localidade costeira. Com a chuva que entretanto chegou, qualquer cidade pareceria-nos feia. Pobre Katsuura, escura e sem vivalma para mostrar.

Enquanto esperávamos pelo comboio decidimos entrar numa tasca. A tasca mais tasca que entrámos no Japão. O facto de Katsuura ser considerada a “capital do atum” terá contribuído para que ali comêssemos o melhor sushi de toda a viagem, mas não terá tido nada a ver com o facto de termos bebido a melhor cerveja também. O mais certo é ter sido a melhor cerveja simplesmente porque foi a última que bebemos antes de regressarmos a Portugal.

Enquanto apreciávamos as nossas sapporos noto, pela primeira vez na naquelas duas semanas, uma certa “descontração” nos clientes do bar. São três homens ao balcão e riem-se à fartazana, gritam, fazem brindes, pedem mais uma rodada. Metem-se connosco e pagam-nos mais umas sapporos. Não falam inglês e a comunicação é impossível. Mas uma rodada oferecida é uma rodada oferecida em qualquer parte do mundo. Sinto-me bem no Japão como até agora não tinha sentido. Só é pena o comboio estar a chegar. Só é pena amanhã voltarmos a Portugal. Temos de ir. Para a próxima pagamos nós a rodada. Kampai! Um brinde ao Japão!



Comentários (1)

  1. Paulo Azevedo

    Ficamos contentes por o nosso artigo te ter inspirado a visitar aquele lugar invulgar. É mesmo com esse objetivo que fazemos a partilha.

    Parabéns pelas fotos e artigos, até parece que voltei a ouvir as batidas dos cajados dos caminhantes a subirem a escadaria. 🙂

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