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A raposa da Deserta

Que bela história de vida!

O nome do retratado é Francisco Alves, mas alguns chamam-lhe “a raposa da deserta”. O senhor Alves tem 67 e é pescador. Está na ilha Deserta há 29 anos, onde é o único habitante. É verdade, o único habitante. Lá se vai a lógica do “deserta”… É que na ilha, localizada na ria Formosa, para além de um restaurante (o Estaminé), só há cinco casas de madeira azul que servem de apoio aos pescadores. E é num desses apoios que mora o senhor Alves, que é também o português que vive mais a sul de Portugal Continental. Curioso como em poucos meses conheci o habitante mais a norte, e agora o mais a sul.

Francisco tinha uma vida normal. Trabalhou numa fábrica de plásticos, mas era comum estar doente. Até que o médico o aconselhou a mudar de vida. E assim foi. Tornou-se pescador. Largou tudo e veio para a Deserta. Nos primeiros tempos Francisco ainda ia dormir a casa, em Faro, mas depois de vários assaltos decidiu viver na ilha, qual ermita dos tempos modernos.

E que vida tem! A vista da sua casa deve ser a melhor de Portugal. Todo aquele mar (quase) só para ele… De noite pesca. De dia cozinha. Costuma oferecer o que que tem aos poucos turistas que ali passam. Já é uma estrela. Até em programas de televisão apareceu. A cabana azul onde mora está cheia de geringonças que inventa. Até um periscópio tem. Assim pode ver tudo o que se passa na ilha no conforto do lar. Tem também a preciosa companhia do seu cão. Perguntei-lhe: “Como se chama este bolinhas”? Ao que ele me respondeu: “Bolinhas”. Na mouche!

Para além de pescador, inventor e cozinheiro é também um conversador nato. Quem por ali passe e meta conversa pode contar com histórias durante toda a tarde. E que histórias. É bom saber que ainda há quem viva tão fora do “sistema” como o senhor Alves.

 

 



Comentários (6)

  1. Tiago

    Correção: os habitantes do arquipélago da Madeira estão todos mais a sul do que o Senhor Francisco Alves. Isto em nada diminui o interesse nesta estória ou a qualidade do retrato. Parabéns!

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    • Gabriel

      Tem toda a razão tiago! e eu que costumo corrigir os outros nessa matéria fiz agora o erro. Obrigado pela rectificação. Foi corrigido. Obrigado por seguir. um abraço

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