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A ilha das especiarias de bicicleta

O meu receio de não conseguir bons motivos fotográficos numa ilha algo turística como Zanzibar acabou por não se confirmar. Felizmente, ainda há muito por explorar neste paradisíaco pedaço de terra de pouco mais de 2000 quilómetros quadrados. Na hora de programar uma viagem reservo sempre uma grande fatia do itinerário fora dos roteiros comuns. Posso voltar sem imagens de paisagens e monumentos de sonho, mas sei que conseguirei mostrar algo com mais significado: uma amostra de como vivem as pessoas daquela região/país, retratos de realidades tão diferentes da nossa.

A experiência mais autêntica que tive na ilha, e que recomendo vivamente, foi ter alugado uma bicicleta e ter explorado o interior da ilha durante um dia. Foi na região de Kizimbani, uma região conhecida por ser o centro das especiarias da ilha, com dezenas de quintas que plantam, produzem e vendem todo o tipo de frutos tropicais, legumes e, naturalmente, especiarias. Visitámos umas dessas “spice farms” e maravilhámos-nos com as cores e texturas dos ingredientes que o nosso guia nos mostrara. Muitos dos ingredientes já conhecemos em Portugal, pelo menos de nome, mas não imaginamos de onde vêm e como são antes de serem processados e comercializados. Vale muito a pena fazer uma destas “spice tours”.

No regresso estacionámos as bicicletas nas barraquinhas à beira da estrada e aproveitámos para conhecer e fotografar os habitantes de Kizimbani. Daquele dia lembro-me sobretudo: dos simpáticos vendedores de todo o tipo de bugigangas, do tímido barbeiro do bairro, dos compenetrados jovens nos seus kofis (chapéus típicos) que jogavam damas e bao (jogo tradicional de Zanzibar), da altiva matriarca da aldeia vestida na sua kanga de padrões hipnotizantes, dos meninos descalços que jogavam com uma bola de trapos, das meninas sempre envergonhadas mas muito curiosas nos seus bui-buis (véus islâmicos) e ainda o incrível trepador de palmeiras que nos foi buscar cocos lá tão acima. tão acima, que metia impressão. Cada paragem revelava um novo lado de Zanzibar e eu não conseguia parar de fotografar.

Regressei ao lodge com a sensação de ter conhecido pelo menos um pouco da verdadeira Zanzibar. Agora era tempo de rumar ao outro lado da ilha e mergulhar finalmente naquelas idílicas águas do Índico, mas primeiro era preciso fazer uma pequena paragem para procurar os mais famosos habitantes da ilha: os macacos Red Colobus.



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