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São Martinho na serra


Este fim-de-semana viajámos cá dentro. Há que tempos que queria ir à Serra da Estrela na minha estação favorita, o Outono. Finalmente consegui e logo no fim-de-semana de São Martinho, com o verão homónimo no seu auge – sol, sol e mais sol.

Foram dois dias preenchidos: “banhos de floresta” em bosques de carvalhos, dormida numa casa de aldeia de espírito familiar, magusto tradicional, passeio pedestre, a tradicional ida à Torre e ainda uma paragem pelo Piódão, que nunca tinha visitado.

Infelizmente, este passeio não foram só maravilhas. A imensidão da área ardida nesta região é impressionante. A forma como perdemos algumas das mais bonitas paisagens do país em apenas alguns dias é chocante. Escaparam apenas algumas “bolsas” de floresta e montanha para nos relembrar quão maravilhosa é esta zona da Serra da Estrela, da Serra do Açor e do Pinhal Interior.

Fica o relato do fim-de-semana em imagens.

Partimos de Lisboa ao final da tarde de sexta, depois do trabalho, para podermos acordar logo no dia seguinte na serra. Dormimos numa aldeia de pedra recuperada chamada as Casas da Ribeira. A casinha da Ti Carolina foi o nosso retiro de montanha

Mal acordámos e abrimos a porta para apanhar o pão do dia pendurado do lado de fora da casa, este amiguinho chamado Tico recebeu-nos com uma alegria contagiante

A aldeia de Póvoa Velha, pertinho de Seia, acolhe as Casas da Ribeira, recuperadas de casas devolutas

Todos os anos, no dia de São Martinho, as Casas da Ribeira organizam um passeio pelos bosques de castanheiros e florestas de pinhal que, dizem-me, são (eram) espectaculares. Este é o cenário actual…

Depois do trilho pedestre, da parte da tarde, rumámos ao concelho de Manteigas, felizmente menos afectado pelos incêndios, onde encontrámos sítios deslumbrantes, vestidos com as cores do outono

Este sítio estava no meu mapa de locais a ir e finalmente pus-lhe a vista em cima – o vale glaciar do rio Zêzere. Ao fundo Manteigas. Este passeio serviu também para testar uma mala tiracolo que a Trendhim gentilmente me enviou. Quando a vi pensei que era demasiado grande para este tipo de passeios mais pequenos, mas foi perfeita para enfiar todo o material de fotografia e outros acessórios

Percorremos o vale glaciar e eu só pensava: “se pudesse escolher um sítio para viver era aqui, num dia de outono eterno”

É quando começamos a subir para a Torre que conseguimos ver o vale em todo o seu esplendor

Desde pequeno que me lembro de ir ao “centro comercial” da Torre, no cimo da Serra da Estrela, e sempre que lá vou noto que nada mudou. Desta vez não foi diferente. Estava exactamente igual ao que me lembro de há 20 anos. Para o bem e para o mal, sobretudo para o bem.

Descemos pelo lado da aldeia do Sabugueiro, que se auto-intitula como a mais alta do país (1050 metros). Agora é também um oásis rodeado de terras queimadas

À noite o ponto alto do fim-de-semana: o magusto. As Casas da Ribeira fazem-no todos os anos, da forma tradicional – assam as castanhas no chão, numa cama de caruma.

No Domingo decidimos ir até Piódão. O caminho até lá foi feito com um sentimento de pesar – quilómetros e quilómetros de montes e vales ardidos

A chegar ao concelho de Arganil

Vale d’Égua

A chegada ao Piódão

Piódão, a última paragem antes de rumar a Lisboa


Comentários (3)

  1. Dylan

    Que tragédia! Fico feliz por saber que Piodão sobreviveu e que Manteigas continua a ter aqueles trilhos fantásticos como é o caso da Rota das Faias.

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  2. Paulo Azevedo

    A paisagem ardida é de facto desoladora. Tem que se pensar que a natureza, felizmente, recupera sempre e haverá sempre mais oportunidades de “banhos de floresta” 😀

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